Os primeiros pensamentos vindouros de uma ouvida a 1989 do Ryan Adams

Antes de mais nada, é importante que saibam: eu não sou uma pessoa ~in~. Até pode parecer que sou 10colada, com um blógue assim com o meu nome, editando uma revista para adolescentes, lançando livro, falando sobre YA etc. Mas a real é que eu sei de nada da vida e, no meu tempo livre, eu escuto álbum do Paramore de 2009 (sdds). Mas eis que meu feed do saite feices tem várias pessoas shola de bow show de bola – é assim que recebo os informes do mundo pop – e foi assim que milhões de textos sobre o último álbum do Ryan Adams (o qual nem sabia quem era antes desse boom), um cover de 1989.

Li milhões de críticas, mas foi o texto da Anna Vitória que me fez decidir parar e ouvir com calma o Ryan Adams. Foi o texto que me pareceu fazer mais sentido quando li e, depois de ouvir o álbum todo, foi o texto que disse tudo o que eu acho mesmo. Então, assim, se quiserem saber minha opinião, leiam o texto dela.

Quando comecei a escutar o álbum, fui primeiramente falar lá no twitter o que eu tinha pensado logo nos primeiros acordes. Mas quando abri o saite, me veio essa ideia: E SE EU FIZESSE UM POST NO BLÓGUE COM AS COISAS QUE EU PENSEI DURANTE CADA MÚSICA??? Daí, eu fiz isso. Abri o Word e escrevi literalmente tudo o que eu estava pensando e, depois, fui conversar com a Lorena 2 pra saber se fazia sentido isso virar um post ou não. Ela disse e eu cito: “faça o post, apoio revolução pró taylor contra o indie”. Então, cá estou.

Na real, esse não é um texto pró Taylor, contra o indie. Só são literalmente as coisas que pensei enquanto ouvia o álbum do Ryan Adams. Eu não queria muito comparar ao da Taylor, mas é difícil, afinal estamos falando de um álbum cover. Mas esse post não está aqui pra isso. Como disse, o texto da Anna Vitória já contempla exatamente o que penso sobre o assunto. Leiam lá. Agora, pra saber o que pensei enquanto ouvia o álbum pela primeira vez é só seguir em frente. Mas, antes é preciso que você saiba de algumas coisas sobre o meu gosto:

  1. Eu odeio música indie
  2. Eu odeio pessoas que seguem o estereótipo indie
  3. Eu discordo plenamente dessa história de abraçar a tristeza que existe dentro de nós, pra mim temos que entender os momentos de tristeza, respeita-los, mas trabalhar pra ficar feliz de novo e se sentir bem
  4. Se sentir bem é tópi
  5. De forma geral, eu não gosto de pop
  6. Eu não sou fã das músicas da Taylor Swift em sua maioria, mas…
  7. Eu escuto 1989 todos os dias de manhã. Invariavelmente. Esse álbum é perfeito.

Ok, dado isso. Vamos ao que me propus a fazer aqui: colocar meus pensamentos a mostra.

(dica: escute as músicas enquanto lê os comentários, ou vai ficar tudo muito perdido)

 

Welcome to New York

– a batida não é tão triste quanto achei que seria

– como acharam esse álbum mais sincero se não dá pra entender o que ele fala?

– HÁ! “WELCOME TO NEW YORK”

– Que mais ele tá falando?

– Gente, amo essa música e não reconheci nenhuma palavra???

– Preciso tweetar sobre isso *abro twitter* melhor fazer um post inteiro sobre primeiros pensamentos ouvindo esse álbum *abro o Word*

– Vei, continuo sem entender uma palavra

 

Blank Space

– me sinto num filme indie

– mas pelo menos entendo o que ele tá falando agora

– kd I CAN MAKE A BAD GUY GOOD FOR A WEEKEND??????

– meus antigos amigos da escola devem estar amando esse álbum

– mygodblankspacebabyIwriteyounaaame melhor que starbucks lovers??

– KD CAUSE BABY I’M A NIGHTMARE DRESSED LIKE A DAYDREAM??? Será que ele não pode cantar essa parte porque tá patenteada? Hahahahahha porra, Taylor.

– méh

 

Style

– PUTA SUSTO DA PORRA DEPOIS DAQUELE VIOLÃOZINHO

– acho que seria melhor se meu som do computador não fosse tão estourado no agudo

– continuo sem entender metade do que ele fala, e olha que escuto 1989 todo dia de manhã

– mas a guitarra é daorinha

– mas faz falta aqueles momentos dramáticos da Taylor

– sdds momentos dramáticos da música pop

– sdds música pop, tenho que pesquisar uns álbuns novos

– mas a guitarrinha é bem legal

– mas é meio barulho

– tantantantantantantantantantantantantaaaaan *entrei na onda do final*

 

Out of the woods

– PARECE ONLY EXCEPTION DO PARAMORE HAHAHAHA

– parou de parecer agora

– a uí áu a uí au a uí au? (zoei mas gostei)

– gente, essa música é muito mesmo a capa da praia com as gaivotas. Tá muito coerente isso aí.

– ugh, acho que não gosto mesmo de indie

– A UÍ AU A UÍ AU A UÍ AU THE UOOODS? A UÍ AU A UÍ AU A UÍ AU THE UOOODS? A UÍ AU A UÍ AU A UÍ AU THE UOOODS? A UÍ IN A UÍ IN A UÍ IN?

– KD MEU ISQUEIRO PRA LEVANTAR AQUI???

– cara, a falta de dramaticidade realmente não combina com essa música

– talvez com esse álbum

– será que indie é dramático?

– ou indie é só mimimi que finge que é drama?

– quando ele não canta não é tão ruim, talvez porque aí não fiquei comparável com o da Tay

– se bem que não é pra comparar né

– mas é difícil

– de qualquer forma, esse jeito indie de cantar por quê?????

 

All you had to do was stay

– Tun tun blen tun tun blen tun tun blen tun tun blen

– refrão daorinha

– tun tun blen tun tun blen tun tun blen tun tun blen

– mas a voz dele tá legal

– a interpretação também tá boa

– tem feelings que não são mimimi

– tun tun blen

– refrão *mexendo os ombros*

– COULD IT BE EASY?????? (ó os drama bõm)

– tun tun blen tun tun ble tun tun blen tun tun blen tun tun blen tun tun blen

– ok. Deu. Tun tun blen *música acaba*

 

Shake it off

– ~baquetas~

– MAS GENTE PRA QUÊ O MISTÉRIO????

– HAHAHAHAHAHAH ISSO É ENGRAÇADO

– POR QUE ESSE MISTÉRIO?

– HAHAHAHHAHAHA

– ~baquetas~

– HAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

– ISSO TÁ MUITO ENGRAÇADO, GENTE SOCORRO

– ALGUÉM DÁ PARABÉNS PRA ESSE MOÇO

– ~baquetas~

– THAT’S WHAT THEY DON’T SEE = ACHEI O MISTÉRIO

– LAKSJDFLAKSDJFLKASJDFLKASJDLFKASDF

– TÔ ESCREVENDO TUDO EM CAPS PORQUE TÁ MARAVILHOSO

– E ESSA MÚSICA DE NATAL AGORAAA????

– SÉRIO, PARABÉNS PRA ESSE OMI

– ele é o tipo de cara que deve usar muitas reticências

– BABY I’M JUST GONNA SHAKE…………….

– SHAKE IT OFF………………………………………………

– SHAKE IT OFF……………………………………………………..

– Sério, mt bom isso aqui, socorro

– olha o blen de novo!

– pena que não dá pra shake o corpo off com essa música

shake it off

 

I wish you would

– Taylor antes da onda pop

– TÃO INDIE

– vejo aqueles filmes comming of age em que crianças já dirigem e tem uma estrada à noite e misteriosamente aquelas estrelinhas que a gente acende no bolo

– WISH YOU WERE HIGH?????? Juro que pareceu

– por que você quer que a pessoa estivesse chapada?

– se bem que esses indies vivem nessa onda

– ~onda~

– não gosto de indies

 

Bad Blood

– ~acordes~

– FEELINGS

– DRAMA

– MEMÓRIAS

– BALADINHA

– *amando*

– entendi os críticos falando sobre ~ser mais sincero~, apesar de não estar achando ~sincero~ de forma geral, essa música realmente parece que tem mais feelings

– ao mesmo tempo, pensando nas tretas com as minhas migas quando eu era adolescente, essa versão não tocaria no meu coração jamais

– mas hoje em dia me parece fazer sentido???

– poxa, o final deu uma broxada… Muita coisa pra chegar no fim. L

 

Wildest dreams

– guitarrinha, bateriazinha etczinho

– POR QUE MUDOU HE PRA SHE?????????????

– acho isso tão heteronormativo, gente, juro, não entendo.

– por mais que, ok, nesse caso tenha algum sentido já que o cara está num processo de divórcio etc. mas poxa

– tá, pensando no divórcio, fica mais interessante

– SAY YOU’LL REMEMBER ME!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

– Ua-aaaaaaaaildst (por quê, Ryan? Por que prolongar desse jeito, omi? Tanto jeito de prolongar uma sílaba, escolheu essa)

– OLHA O DRAMA

– mas não combina com esse último refrão, não

– alguém conta pro moço que essa guitarra dá susto

– agora imaginei uma guitarra saindo do cantinho dela e gritando BU! no meio da edição no estúdio e tô rindo e me sentindo muito idiota ao mesmo tempo

– méh

 

How you get the girl

– será que essa foi sofrida?

– PUTS NÃO O INDIE MAIS INDIE COM ESSA VOZ E ESSE ECO E ESSE VIOLÃO

– it’s been a loooooooooooooooooooooong (song to be over)

– INDIES

– INDIES

– POR QUE VOCÊS FAZEM SUCESSO????????

– pior que falo isso mas tenho várias migas que curtem indies

– mas olha essa músicaaaaaaa

– É TÃO BLASÉ

– TÃO BLASÉ

– QUE POSSO ATÉ VER AQUELE CARA BRANCO, MAGRO, ALTURA MEDIANA, BARBA, ÓCULOS ESCUROS NO MEIO DO ROLÊ, SEGURANDO SUA CERVEJA E COM CARA DE NADA

– AÍ TÁ TODO MUNDO FAZENDO COISAS LEGAIS E ELE LÁ PARADÃO SE SENTINDO EXCLUÍDO MAS FINGINDO QUE NA REAL SÓ É UM OBSERVADOR DISTANTE E SUPERIOR E PENSANDO QUE ESSA VIDA É TRISTE MAS QUE A TRISTEZA É BONITA E ESTÉTICA E QUE A GENTE TEM QUE ABRAÇAR ESSE LADO EM NÓS EM VEZ DE FINGIRMOS QUE SOMOS FELIZES 100% DO TEMPO E É POR ISSO QUE ELE NÃO GOSTA DE FACEBOOK

– acaba, pfvr

 

This love

– PIANO DRAMÁTICO

– ALONGANDO AS SÍLABAS

– POR QUE VOCÊS GOSTAM TANTO DE MÚSICA INDIE???????????????????

– ALGUÉM ME EXPLICA O APELO

– esse refrão parece demais o original (nervosinho)

– la la LA LAAAAAAA la la LA LAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

– THIS LOVE IS GOOD THIS LOVE IS BAD AI MDS ESSES FEELINGS PELA HISTÓRIA DE VIDA DESSE OMI QUE SÓ DESCOBRI QUE EXISTIA ONTEM

– ele não morreu de chorar gravando esse álbum?

– como ele conseguiu gravar essas músicas NO MEIO DE UMA SEPARAÇÃO????

– novamente estou entendendo de onde os críticos tiraram o “mais sincero”, apesar de ainda achar essa uma crítica totalmente imbecil

– *fiquei pasmando, a música acabou*

 

I know places

– ESSA ONDA FILME BANG BANG NO PRIMEIRO ACORDE SIM

– ok, eu não gosto do tom de voz dele

– MAS SIM, CONTINUE, HOMEM

– SIM

– IT COULD BURN OUT SIM

– AND GUUUUUUNS SIM

– CONTINUA

– NÃO ACABA NUNCA

– mas o refrão da Taylor ❤ ❤ ❤ ❤

– MAS I KNOW PLACES WE CAN………………………..

– essas reticências em excesso dele são hilárias

– ISSO TÁ MEIO KILL BILL???

– ALGUÉM CHAMA O TARANTINO PRA COLOCAR NA TRILHA DO VOLUME 3

– THEY ARE THE HUNTERS

– WE’RE THE FOXES

– AND WE RUN

– WE RUN

– WE RUN

– o “baby” dele dá pra cantar sem desafinar

– o “ooh” dele também é humano

– mas aí ficou meio barulho

– pra que esses “i love you”?

– ou eu que tô ouvindo tudo errado?

– BUT I KNOW PLACES WE CAN……………………..

– parece que é uma referência tão clara ao sexo que fica até engraçado

– até porque o resto da frase parece só uns gritos

– LASKDFJASKJDF

 

Clean

– baladinha com voz de indie fica meio esquisita, né?

– tô com tanta dó da separação dele com a moça

– queria colocar os dois no colo (em momentos diferentes) e abraçar e dizer que vai ficar tudo bem

– blé

– mas o refrão funciona

– chega

– pfvr, acaba

– ufa, tá acabando

– ACORDES, TERMINEM

– terminou

 

Quando acabou, achei que viria Wonderland. Mas aí não veio. E o álbum acabou. Sem Wonderland. Sem New Romantics. Sem parte essencial de 1989. Não entendi. Mesmo. Ainda não entendo. Minha reação nesse momento foi:

– POR QUE NÃO TEM WONDERLAND???????????????

– POR QUE ACABOU O ÁLBUM???????????????????????????

– POR QUE ELE NÃO GRAVOU TODAS AS MÚSICAS???????????

– ME PROMETERAM UM COVER DE 1989, 1989 NÃO ACABA EM CLEAN

– Falando assim, até parece que tô falando do ano de 1989, não do álbum

Depois disso, aceitei o fim do álbum, mas admito que fiquei meio desapontada com isso. Estava particularmente curiosa para ouvir New Romantics, que é uma música que tem uma pegada indie muito forte na letra e que acho que o Ryan Adams ia saber trabalhar muito bem (apesar de, como vocês terem percebido, eu odiar indies). Queria ter ouvido o resto, fiquei mesmo curiosa. Mas não existe, então vou me contentar (e muito!) com as originais da Taylor Swift, porque 1989 original é perfeito, bjs.

 

(Sério, gal, leiam o texto da Anna Vitória e as referências que ele traz.)

As três perguntas mais importantes pra fazer ~praquela pessoa especial~

Existem três coisas essenciais que todo mundo precisa saber antes de dividir a conta do Netflix, o último pedaço do bolo de chocolate e os fluidos corporais. São três coisas imprescindíveis, inegociáveis, cruciais para todo e qualquer relacionamento.

  1. Qual o seu sol, ascendente e sua lua?
  2. Se você pudesse escolher um lugar e uma época pra viver, onde e quando você escolheria?
  3. Você acha o Latino o melhor compositor da música brasileira?

Você pode estar rindo muito disso agora, mas é a realidade, meus amigos e minhas amigas, e não há como fugir dela.

Se você não se dá bem com o jeito que a pessoa é, aparenta ser e como ela se sente (aka: sol, ascendente e lua), esse relacionamento nunca na vida vai pra frente. Não tem jeito. Nunca que uma pessoa totalmente fechada e/ ou blasé vai conseguir lidar com alguém emocionalmente carente. Ou nunca que uma pessoa super impulsiva e cheia das energias pra correr o mundo vai conseguir ficar tranquila com uma pessoa que precisa de estabilidade e quer ficar juntinha na cama vendo O Casamento Do Meu Melhor Amigo no Netflix.

Também você, se for ixperto ou ixperta, vai querer fugir assim que o bói ou a girl te disser que gostaria de viver em Paris, na Belle Epóque. Porque, sério, quem na vida quer viver no meio de uma crise econômica, com várias pessoas fedidas, um país que acabou de sair de uma guerra (e logo vai entrar em outra!!!)? Não importa quanta arte bonita está sendo produzida. A gente pode ver tudo isso hoje em dia sem a chatice dos caras querendo se explicar. Hoje em dia, todo mundo já aceitou o papo do impressionismo, já fomos além inclusive. Além do mais, ainda estavam inventando coisas como o carro – ou seja: pra se locomover era charrete ou a pé. E A DOR NAS COSTAS, MEUS CAROS E MINHAS CARAS? E OS SAPATOS GASTOS? COM QUE DINHEIRO TU IA COMPRAR UNS SOLADOS NOVOS?! Sem contar a falta de direitos civis para mulheres, pessoas negras, LGBTQA… Não, vamos parar com isso. Gente que escolhe umas épocas assim é pedante. Sério. Confia na tia Clara. Uma coisa é querer viver transformações ideológicas e estéticas, outra coisa é cair na fantasia dos filmes do Woody Allen.

E eis que vem a questão mais importante! O xeque-mate! A VERDADE, POR FIM! Você acredita que o Latino é o melhor compositor da música brasileira? Espero que sim. Até porque ele talvez seja o melhor compositor DA MÚSICA MUNDIAL! Poxa, gente! O cara plagia metade das músicas de sucesso, então cria uma letra completamente absurda E VENDE MILHÕES DE DISCOS POR AÍ COM ISSO!!!! Um gênio, amigues! Um gênio! E pra quem não se lembra dessa genialidade toda, pfvr, coloquem isso aqui pra tocar:

Tesão, sedução, libido no ar

No meu quarto tem gente até fazendo orgia

Sério, gente, como não amar?

E essa é a genialidade dessa pergunta: para entender o Latino assim no coração não basta (na verdade, nem importa) gostar das músicas que ele faz, mas sim perceber o humor que esse cara tem e o humor de quem entende o Latino como um grande compositor. Essa pergunta revela quem vê a vida com graça, revela os preconceitos reais das pessoas com a música realmente popular (e com as pessoas que são colocadas como “populares”), é uma pergunta que toca no âmago das pessoas e elas nem percebem.

Com essas três respostas shola de bow, vai rolar bundalelê.

Vemk brincar de arte

Desde pequena eu tenho esse rótulo de criativa, o que é bem engraçado. No ensino fundamental, eu sempre tirava 10 nas aulas de artes e minhas amigas ficavam “aff, como você consegue?” e a verdade é que eu nunca soube. Até hoje lembro de uma colagem com bolinhas que tivemos que fazer – a professora amou muito a minha especialmente, mas a verdade é que eu só colei bolinhas aleatoriamente pelo espaço. Arte, pra mim, sempre foi um pouco isso: fazer coisas aleatoriamente pelo espaço e as pessoas me dizerem que ficou lindo.

Por um tempo, abandonei azarte plásticas e comecei a escrever. Meus amigos, novamente, não entendiam como eu conseguia. Eu escrevia todo o santo dia e todo mundo achava incrível e maravilhoso, mas a real é que eu só estava escrevendo o que estava me acontecendo com outros nomes. Pelo menos, foi assim que começou. Uma amiga minha disse que a história da minha relação com o bói seria uma ótima fanfic, bastava trocar o nome das personagens, e eu curti a ideia e comecei a escrever. No meio do caminho que peguei o jeito, que comecei a fugir da história real, que decidi começar a elaborar mais a ideia de narrativa e tudo mais. Só depois que eu estava há anos escrevendo sem preocupação que me veio a ideia de levar isso mais a sério. Aí, foi testar formas, gêneros, ideias aos poucos e sem muita noção do que eu estava fazendo.

Com a faculdade, voltei a desenhar. De repente, escrever virou um ato tão sério que a única forma de me divertir de uma forma que eu me sentia producente foi voltar às artes plásticas. E, com isso, fui para aquarela, guache, hoje tenho me divertido com colagens. Mas eu nunca estudei nada disso. Aliás, estudar Letras me bloqueou a escrever mais, mas falo disso com calma outro dia. A questão aqui é: você não precisa saber técnicas para fazer arte. Pelo menos, não no começo, não quando você começa.

Como eu virei essa pessoa aparentemente muito criativa, muita gente vem me perguntar como eu tenho tanta ideia, como elas podem começar a fazer suas próprias artes, como fazer coisas bonitas. Por causa disso, decidi fazer uma série de dicas para quem quer começar a desenhar. Nada do que vou dizer está nos livros, nada do que eu vou dizer é pra você virar o próximo Juan Miró, mas se tudo der certo, você vai gostar de desenhar e fazer coisas das quais tem orgulho. E é isso o principal: você se sentir satisfeita com o que faz. Então, vamos aos primeiros passos!

  1. Arte é brincadeira, não é pra ser coisa séria

Quem leva arte a sério são os críticos e, cá entre nós, ninguém gosta deles. Então esquece essa coisa de ser sério, de criar conceito, de tratar da beleza, da diferença, do ser. Só pega o papel e faz teus rabiscos. Joga as cores que você acha daora, cola uns negócios em cima, faz umas formas legais, cria uns padrões se quiser, deixa espaço em branco. Faz o que te diverte, o que te alivia, o que te faz se sentir bem. Assim como a gente sai da brincadeira quando não gosta, também dá pra parar de fazer arte quando aquilo te estressa, te consome, te deixa mal.

Vai por mim: só rabisca aí.

  1. Assim como a arte, você também não é pra ser sério; abraça a zoeira que tá dentro de você ❤

A gente cai muito nessa armadilha de que temos que ser pessoas sérias e profissionais o tempo todo ou então somos desequilibrados. Galera, vamos parar com essa história. Somos humanos, orgânicos, temos nossos momentos. Se já temos que ser sérios no trabalho, na escola, na faculdade, por que raios vocês querem ser sérios também quando estão fazendo arte?!?!?! Lembra do ponto 1? Arte é brincadeira.

Então relaxa aí, respira fundo e, novamente, faz uns rabiscos. Dá suas risadas, tira os sentimentos que estão no seu peito, preenche seu tempo fazendo risquinhos, zoa aquela galera que tirou uma com a sua cara na segunda-feira. Faz o que te parece natural. Depois, quando você acabar, pode inclusive brincar de zoar os críticos e conceituar aquilo que você fez só na brincadeira. (Eu tenho certeza absoluta que todo bom artista moderno e contemporâneo fez/ faz.)

  1. Criatividade é uma mentira

Whaaaaat?! Tá de zua, Clara!! NÃO, NÃO ESTOU! Criatividade é uma mentira. Essa ideia de que há pessoas criativas e pessoas não criativas é completamente sem sentido, porque todos nós no mundo criamos coisas. Eu crio, você cria, tua mãe cria, teu cachorro, teu gato e teu papagaio também criam. Criar é fazer algo do zero e, migue, isso todo mundo faz. Criar é também ter ideias e se apropriar delas. E isso não é tão difícil de fazer, desde que você pare de martelar sobre seus medos e anseios e apenas faça. E isso nos leva a…

  1. Ninguém sabe o que está fazendo

Confia em mim nessa. Ninguém tem a menor ideia do que tá fazendo – pelo menos, não no começo. A real é que todas as pessoas só estão por aqui consumindo coisas dessa bola flutuante no meio do vácuo. Tipo, literalmente, é isso o que estamos fazendo. Você acha mesmo que alguém que está consumindo coisas de uma pedra gigante que flutua no meio do vácuo tem alguma ideia do que está acontecendo? Pois é, não. Então, só relaxa. Pega seu papel em branco e começa a fazer o que parece natural pra você. É fazer milhões de riscos pretos? É jogar tinta no papel todo? É fazer pintura com o dedo? É fazer vários furos com o lápis? É amassar vários papeis e fazer uma torre? Não importa, desde que você faça! O negócio é encarar o medo do papel em branco e começar a preenche-lo – o que vai acontecer depois são outros quinhentos.

  1. Autoconfiança é uma construção social

Parece filosófico, mas é só um fato. Ninguém na vida é realmente autoconfiante, todos temos pontos de insegurança. A questão é: você vai deixar esses pensamentos remoendo na sua cabeça e lentamente te consumirem até você acreditar que você é a pior pessoa do mundo OU você vai ignorar esses demoniozinhos e tirar uma selfie com o seu trabalho artístico pra gente poder ver no instagrão, no saite feicis, no snépichéti e o diabaquatro? POIS É, A SEGUNDA OPÇÃO!

E não esqueçam: arte é só uma brincadeira, uma forma de praticar novas expressões e estéticas. Se disso acabar saindo uma grande obra, uma nova forma de ver o mundo, maravilha! Mas antes de revolucionarmos a história, precisamos começar de algum ponto. Ou você acha mesmo que Picasso chegou lá um dia, pegou um pincel pela primeira vez e fez a Guernica?

Às vezes, a gente acaba esquecendo de tudo que os grandes artistas tiveram que passar para serem quem são hoje. Mas uma coisa meu pai me ensinou bem, e passo essa sabedoria pra vocês hoje: todo mundo tem mais trabalho ruim do que bom, as pessoas só não mostram! Então, vá em frente! Te juro: não é tão difícil assim uma vez que você começa.

Alou, alou W Brasil OU Porque pensar não é sempre a melhor opção do mundo

Esse é o primeiro póst desse blógue e gostaria que, antes de mais nada, todos vocês batessem palmas e me congratulassem por FINALMENTE CONSEGUIR FAZER UM BLOG.

Acho que criar isso daqui foi uma das coisas mais difíceis que decidi fazer e realmente concretizar. Mais difícil até que escolher (e passar!) na faculdade. Sei que parece muito absurdo dizer isso e totalmente dramático, mas tem um fundo de verdade (outro de hiperbolismo). Peraê, vou explicar melhor.

Em geral, a maior parte das decisões que tomei na minha vida que deram certo foram porque eu fui na impulsividade. Mesmo que eu já estivesse pensando sobre o assunto, sempre tomei decisões meio “ok, deu, vou fazer isso aqui acontecer”. E aí aconteceu. Foi assim com a minha escolha de faculdade, com a Capitolina, com os cursos de livro-álbum. Foi assim que eu dei meu primeiro beijo, que eu conheci algumas das minhas melhores amigas, que acabei indo falar na assembleia de greve na faculdade no meu segundo ano de faculdade e é assim que vou pra maioria dos eventos que me convidam pra falar.

Eu não gosto de pensar muito sobre as coisas que tenho que fazer ou que quero fazer, porque quando penso demais acabo ficando neurótica com as milhões de possibilidades, vivo todas na minha cabeça e aí acabo ou me satisfazendo com o sonho ou tendo receio (mentira, é medo mesmo) do que pode acontecer. Então, fico paralisada e isso é horrível, todo mundo sabe. Não conseguir fazer as coisas que você precisa ou quer fazer é sempre desesperador. Aí, você só consegue pensar sobre o assunto ao mesmo tempo que só quer ficar debaixo da coberta, encolhida, ignorando o mundo lá fora e dando umas choradinhas de vez em quando. Você acaba entrando em um processo de ansiedade e/ ou auto sabotagem, é péssimo, é frustrante, não tem nada a ver com nada. Por isso que o bom mesmo é não pensar muito. Porque aí a linha de raciocínio é uma delícia! É assim:

  1. Se pa que isso é daora
  2. Ow, isso é bem daora
  3. Nss, tópi, vou fazer isso

E AÍ VOCÊ CHEGA LÁ E FAZ!!!!!!!!!!!!!!! Incrível, né? Também acho.

Você não cria grandes expectativas, você não tem como se frustrar, você não se cobra mais do que devia, não rola nenhuma crise. É por isso que tento praticar ao máximo essa fórmula, que no fundo é também a fórmula de acreditar em mim mesma.

Acreditar que você tem uma ideia boa, que você sabe fazer aquilo, que você tem o que dizer e que o que você pensa, o que você acredita, o que você tem dentro de si é importante e deve ser escutado. Se você acredita em si mesma, não fica tão difícil fazer as coisas. Mesmo que bata aquele medo, mesmo que pule na sua cabeça aquele demoniozinho do “e se?”, mesmo que outras pessoas perguntem “nossa, mas você tem certeza que consegue?”. Quando você acredita em você mesma, esse suporte já está resolvido. Você sabe que vai conseguir – mesmo que não saiba direito como.

É o que acontece comigo quando vou falar em eventos, por exemplo. Eu não gosto de pensar muito sobre o que vou falar, porque sei que as pessoas me chamaram para ouvir as coisas que penso – e se eu penso isso hoje, amanhã pensarei parecido, talvez amanhã pense coisas mais interessantes, talvez amanhã tenha lido outras coisas que tenham me agregado mais, talvez no evento tenha alguém que traga uma discussão nova que eu posso pensar lá, junto com um montão de outras pessoas pensantes e incríveis. Não precisa esquentar, percebe? Porque quando tem troca, tá tudo bem.

Mas aí veio a ideia de fazer um blog e, de repente, me vi presa nos meus loopings de “e se?”. E se eu não tiver tempo para escrever? E se ninguém ler? E se eu parecer muito chata? E se eu não souber fazer um layout razoável e ficar muito tosco? E se eu me perder nos mil pensamentos e não ter uma linha editorial? E se ficar confuso? E se, por não ter uma revisora, eu acabar falando bosta? E SE EU ERRAR E SEPARAR SUJEITO DO PREDICATO POR VÍRGULA????????????

Foram meses, MESES!, de eu conversando com algumas amigas em crise de faço-ou-não-um-blog. O tempo todo elas me falaram pra eu parar de palhaçada e começar a escrever. O tempo todo elas me falaram que eu tenho coisas interessantes a dizer e que as pessoas vão ler. O tempo todo elas disseram que me ajudariam com todo o apoio moral.

Eu fiz milhões de mapas conceituais me perguntando sobre o que eu queria escrever, como eu queria escrever, qual seria o meu público. Decidi por ignorar tudo isso, por confiar nas minhas amigas e, por consequência, confiar em mim mesma. Pra fazer como sempre: só vai e faz.

Sério, eu fiz vários gráficos mesmo.
Sério, eu fiz vários mapas conceituais de verdade.

Esse blog provavelmente terá:

  1. Dicas sobre qualquer coisa
  2. Top livros, filmes, artistas, álbuns, plantas etc.
  3. Eu falando mal da academia
  4. Eu falando mal do sistema de educação (especialmente sobre a minha antiga escola)
  5. Eu amando muito YA e meninas adolescentes
  6. Desenhos e fotos e esquemas de cores e estéticas que curto
  7. Muito uso de “e”, vírgulas e caps
  8. Eu sendo prolixa
  9. Eu escrevendo coisas como “alou”, “instagrão”, “blógue”, “bréja”, “nóix” etc.
  10. Títulos gigantescos
  11. Referências bizarras e/ ou excêntricas como: Tom Zé, Jesus Christ Superstar, William Wegman e livros infantis experimentais da Europa Oriental
  12. Eu convocando as pessoas pra revolução
  13. Eu convocando as pessoas para ficarem em harmonia com a natureza
  14. Zoeira
  15. Talvez umas menções a astrologia
O mapa conceitual final (dedicado a Laura e com o perdão da Maíra)
O mapa conceitual final (dedicado a Laura e com o perdão da Maíra)

Então, pra acabar, fica aqui minha primeira dica: se vocês quiserem fazer um blog, só façam. Não sigam meu exemplo, não dá certo essa história de pensar muito, não. Só vai e faz. É issaê. 10/10, amigues!